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Oriente e Desoriente

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“Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração”
Gilberto Gil

Orientadorxs podem ser problema ou solução. Isto é óbvio, pois elxs podem causar dificuldades, abrir ou fechar portas na sua vida acadêmica. Eu faço uma classificação dos tipos de orientadorxs, mais ou menos assim:

Orientador(a) que NÃO orienta.

E, vou começar por elxs, pois pela minha experiência como aluno e colega, acredito que estxs representem aproximadamente 60-70% do total dos professorxs orientadorxs (exagero?). Neste total estão compreendidos:

Aquelxs que não orientam porque estão fazendo ‘n’ outras atividades e obrigações acadêmicas, que têm que manter a produção, publicar, que têm departamentos, coordenações para dar conta, e etc. de trabalho acadêmico. Alguns destes até ficam meio sem graça, meio se desculpando: “Sinto muito, mas não vou deixar de fazer as minhas coisas para te orientar”.

 Também tem aqueles que são vagabundos, não estão nem aí para os seus orientandxs, ou que têm muitas outras atividades: “Que se virem, o problema e a responsabilidade são seus”.

E, obviamente, aquelxs que não sabem orientar. Não têm experiência, não aprenderam, não têm noção de processo de pesquisa, e não têm critérios de metodologia para desenvolver o trabalho. Estxs, muitas vezes desorientam.

A atitude destes não orientadorxs com xs alunxs pode ser:
Que se dane, que se vire, ‘by yourself’, mas na banca vou te defender, vou estar junto com você.
Que se dane, que se vire, e vai ficar sozinhx na defesa também.
Que se dane, que se vire, e ainda pode te arguir na defesa (sacana).

CASOS:

  1. Uma cliente estava fazendo pesquisa e dissertação sobre processo de licitação e compras de material e insumos no sistema de saúde no Brasil. A pesquisa, tema e problemática, eram originais. Ela era muito esforçada, esperta, rápida e inteligente. Fez um levantamento de dados excepcional e abrangente. Sistematizou os dados, fez gráficos, tabelas e interpretava. O orientador não acompanhou o desenvolvimento do trabalho e nos ‘finalmentes’ pediu para ela escrever sobre o SUS, e depois; sobre a Covid19 (a epidemia estava no início).
    Eu disse, NÃO!
    Seu trabalho não é sobre isto. Ele está saindo do foco, está te tirando do foco (e ter foco é uma das coisas mais difíceis em pesquisa). É claro que seu trabalho está dentro de um tema mais geral que envolve SUS e Covid19, mas o seu trabalho não é sobre isto; é sobre “processo de compra e licitação”.
  2. Tinha um professor todo gostosão, sou o máximo, e produção medíocre. Não orientava, deixava os alunos sozinhos, e que se virassem. Eu estava na banca. O aluno era esforçado, dedicado e inteligente. Escrevia bem, era claro, organizado e fez um trabalho excelente para quem estava sozinho. Entretanto, como todo trabalho, obviamente tinha problemas. E não é que na hora da banca, na frente de todo mundo, o infeliz começou a arguir o aluno! Ele era tão sem noção que não percebia que, ao questionar o trabalho do aluno, na verdade estava questionando o seu próprio trabalho de orientação.
    Enfim. Vejam só…
    Eu saí em defesa do aluno. Recuperei os pontos fortes do trabalho, as ideias e achados principais, e elogiei sua dedicação e capacidade de pesquisa.
  3. Uma vez em reunião de curso sobre o problema dos atrasos e prazos de defesa (impressionante como esta pauta é recorrente). Um professor, que não orientava seus alunos, disse: “Eu vou apertar [os alunos para acabarem] … eu vou apertar… eu vou apertar…
    Comentei com meu amigo: “Eu vou apertar, mas não vou acender agora…”

Orientador(a) que orienta:

Tem aquelxs que sabem, que gostam, e que efetivamente orientam. Estxs respeitam o caminho dxs alunxs e são rarxs. Eu sempre digo que fui um aluno fora da curva, pois tive esse tipo de orientador(a) na iniciação, no mestrado, no doutorado e no mestrado.

Estxs podem acompanhar de perto e interferir no trabalho, ou podem ficar mais distantes, deixando o aluno decidir o grau de proximidade e dependência da relação.

  • Tem aquelxs que esquecem, deixam xs alunxs sozinhxs, e quando os prazos estão acabando, leem o trabalho e fazem ‘n’ sugestões e questionamentos de ultima hora. Estxs tiram o chão.
  • Tem aqueles que interferem muito.
    • Não aceitam que xs alunxs entrem em linha de pensamento que não é a sua, e aí fica cercando e limitando o seu movimento.
    • Tem aquelxs que não dão autonomia, e querem que x alunx faça uma pesquisa que será parte da sua, ou que respondam aos interesses da sua pesquisa.

Caso:

Uma cliente me contou o que pretendia fazer de pesquisa, pois essa era a orientação/determinação do seu professor. Chegou um momento na nossa conversa em que perguntei:
– É isso que você quer fazer? É isso que vai te dar prazer, tesão, nesta difícil trajetória?
– Sabe o que é, Gessé. Ele me apresentou dois caminhos para eu escolher. Eu escolhi o que achava que tinha mais sentido para mim, mas a pesquisa é dele.
– Mas não dá para mudar de orientador?***
– Aqui não é o aluno que muda, mas é o orientador quem decide se não quer o aluno.
Aí eu disse:
– Sendo assim, melhor seguir a linha dele.

Na graduação, na Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), x alunx precisa entrar e desenvolver um projeto elaborado pelo orientador(a). Mas isto é para a graduação. Agora, exigir que um alunx de mestrado siga a sua cartilha, é ser muito autoritário, prepotente, e o pior, castrador.

*** Atenção!!! Perguntei para a aluna, mas eu não recomendo que mude de orientador(a). Só se a relação estiver muito difícil, grave e desgastante. Caso contrário, engula o sapo. Dependendo dx professor(a), elx pode ficar ressentido, magoado, e, vingativo, fechar ‘montes’ de portas na sua vida acadêmica.

Por isto, se puder escolher, se tiver esta oportunidade, converse com seus colegas, com xs orientandxs do professor(a), faça uma pesquisa (essa é uma das primeiras dentro da sua pesquisa), se informe sobre o orientador(a) antes de x procurar. Não se esqueça que está envolvidx em relação de poder e hierarquia (não se esqueça de Foucault), e neste campo pode encontrar democratas, anarquistas, populistas, fascistas, ou ditadores…  

Boa Sorte!

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