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chuvas de verão

Chuvas de Verão - Filme 1978 - AdoroCinema

“Chuvas de Verão” (1978) é um filme de Cacá Diegues. O filme se passa em subúrbio carioca (uma conhecida disse não gostar do filme porque cansou desse entorno onde já tinha morado).

No papel de Afonso, Jofre Soares é um homem idoso que se aposenta, e no seu último dia de trabalho ganha uma caneta. Olhar a caneta envolve reconhecimento e amargura; tantos anos de trabalho e um presente tão cheio de ressentimentos.

E é nesse contexto que assistimos ao envolvimento amoroso de Afonso com Isaura (Miriam Pires). A delicadeza, as dificuldades, a timidez, as histórias, o romance e o nu (inusitado para o cinema) de Miriam Pires; uma mulher idosa se revelando para as câmeras. Passados no presente que os aproximam e os distanciam.

De passado tem o Abelardo (Sadi Cabral) que, recorrente, faz telefonemas para casas de antigos conhecidos para saber se ainda estão vivos. (Um conhecido disse que o avô dele fazia a mesma coisa; que pegava a agenda e ficava ligando). Se assegurando da vida pela ausência de outros.

O passado traz pequenas e grandes alegrias momentâneas-duradouras; ou são indigestos como pimentão verde teimando sua lembrança no estômago (por isso, agora só como pimentão vermelho, amarelo e laranja).

Tenho problemas com o passado e como ele, muitas vezes, martela caminhos que não fiz, opções que escolhi, caminhos e trajetórias de encontros e desencontros. (um amigo dizia de arrependimento pelo o que não fizemos; não pelo o que fizemos). Como Bill Murray, em “Flores Partidas”, que vai em busca do filho em um filme que parece road movie; com caminhos, desvios, entroncamentos, bifurcações, viadutos, aeroportos. Indo em busca do que poderia ter feito no passado para se defrontar com aquele presente.

Quando no pré-vestibular, tive uma amiga que chegava na hora (mas dormia na primeira aula), e saía mais cedo, antes da última aula. Isso acontecia porque trabalhava à noite e depois ia para balada, e saia mais cedo para tomar sol no clube. Era engraçado, difícil, doloroso, pois flutuava nas aulas, num difícil balanço entre presença e ausência.

Muitas chuvas de verão se passaram. Ainda lembro do seu rosto, sorriso e casa. Uso o zap (não o telefone) para saber como está. Mando a foto de uma dedicatória em um livro que me deu. Ela responde rápido. Rapidamente sou atravessado pelas lembranças boas de sua companhia, pelos bons momentos daquele tempo, pelas dificuldades vividas, e pelo sentido de trajetória.

Me sinto nu. Tão constrangido como Miriam Pires na frente das câmeras.

É um tempo passado distante que presente se torna assustador, pois vem em forma de enchente. Um intervalo de tempo que se mostra em resumo, e necessidade de passar a limpo. Não é vontade de voltar atrás, é um voltar atrás imposto pela sua presença. Sentimento confusos vêm junto com vontade de dizer, de contar, falar o que vivi, sofri, me fiz, fiz, tornei. Me afogando na quantidade de vozes, choros, dores, desilusões, ressentimentos, que o lapso de tempo se revela.

Mas é acalanto também. É companhia e amor antigo compartilhado.

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isso não é ‘omnibus’

Tive aula com Teresa Caldeira e acompanhei à distância os finalmentes da sua tese, que se tornou “Cidade de Muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo”. Super trabalho de pesquisa. São Paulo e transformações urbanas que foram coletadas em anúncios de condomínios fechados, entrevistas, e numa criativa união de trabalho antropológico empírico e teórico. É um livro obrigatório para quem pensa em antropologia urbana, urbanismo e violência.

Enfim. A cidade de muros é uma São Paulo transformada em pletora de condomínios fechados que, em nome de, e usando um discurso de segurança, servem para delimitar, afastar, proteger e segregar diferentes classes sociais.

Isso não é novidade. Raquel Rolnik já tinha mostrado, com olhar urbanista, em “A cidade e a lei: Legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo”. Mas ali, as segregações, ainda sem muros em tijolo e concreto, vinham nomeadas por nacionalidades e cores; bairro de judeu, bairro de italianos, de espanhóis, de negros. E, para finalizar, um espaço branco-café que se espalhava em Higienópolis.

Não vou listar, mas a literatura norte-americana tem muitas pesquisas sobre processos de suburbanizacão, que ocorrem desde o final do século XIX. Talvez “Cidade de Quartzo”, de Mike Davis, junte um pouco de tudo isso.

Não sei se Teresa disse isso, se eu me confundi nas minhas lembranças, ou se foi pela jornada através das constantes barreiras que o livro traz: “excluímos pretos e pobres, pois são sujos e perigosos”. Entretanto, contratamos pretos e pobres para que cuidem de nossa segurança e limpem a nossa sujeira; Higienó/polis.

Isso tudo para dizer que fui à casa de …, num lugar em Campinas, São Paulo, que não conhecia. Também nunca tinha visto tal configuração urbana.

Passei de carro por avenidas, ruas e quarteirões enormes (pareciam as super quadras de Brasília) cujas esquinas, quando havia, separavam um muro alto de outro muro alto, ou mais alto. Nunca tinha visto tal continuidade de muros delimitando tantos e diferentes condomínios fechados. Fui ao mapa da cidade: Parque dos Pomares, Cidade Singer, mas o mapa engana; ele mostra as ruas, não os muros.

Condomínios com pequenas casas iguais espremidas respirando pela portaria; casas grandes e iguais como um carimbo que o arquiteto repete maníaco no terreno; casas grandes, enormes, distinguindo arquitetura e fortunas de acordo com o calibre das armas dos seguranças. Até diria que tinha casas para todos os gostos e bolsos (desde que atingisse o patamar de patrimônio, segurança, segregação, exclusão, e, claro; automóvel).

Fiquei impressionado; ma non troppo.  Impressionado pela quantidade de condomínios e muros em sequência e profusão. Mas, como era de se esperar num lugar desse, sem pedestres nas ruas e avenidas, muitos seguranças, câmeras, cercas elétricas e automóveis. Carros privados com moradores isolados, circulando entre espaços privados e segregados. Pedestres ocasionais e ônibus (não é omnibus) transportando um exército de empregadas e vigilantes – segregados no público – para cuidarem da limpeza e segurança. Higienópolis.

Fui por um caminho e voltei por outro, e assim tive que circular o maior e mais longo dos muros: Alphaville. Não o de São Paulo, o primeiro grande condomínio fechado idealizado e planejado em 1973; mas o de Campinas, que acompanha à mesma lógica de ocupação e segregação espacial e social que o original estabeleceu e se espalhou pelo Brasil.

Dentro do meu Ford Galaxy, me senti Lemmy Caution (Eddie Constantine) resgatando Natasha (Anna Karina) do universo sinistro de Alpha 60; Godard. Fui para casa protegido no automóvel com ar-condicionado ligado, pois lá fora estava um calor infernal:  Fahrenheit 451.

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Resumo: a Vaca vai pro Brejo

Posts atrás escrevi sobre Orientadores. Agora, recolhi mais uma experiência para rechear esta jornada de muitos nós, que muitos de nós passamos. Digo jornada, pois ser orientado e fazer trabalho acadêmico pode ser muito legal e produtivo, ou pode ser uma jornada cansativa, angustiante, e muitas vezes destrutiva e humilhante.

No outro post fiz uma classificação que começava por “Orientadores que não orientam”, que “Não estão nem aí”; “Não sabem”; e os “que Realmente orientam”.

Vou escrever sobre o meu cliente, super esforçado, “Pé de Boi”. O trabalho dele chegou para mim com questionário aplicado e dados estatísticos. Todavia, tinha uma forma, conteúdo e objetivos que eu não conseguia entender. Inicialmente, pensei que o problema fosse meu, pois “era de outra área”. Entretanto, quando o questionei entendi o que queria dizer. Ou seja, ele não escreveu.

Síntese: texto não tem intenção. não tem ‘eu quis dizer’.

Sergio Miceli dizia: você tem que explicar o seu trabalho em um parágrafo. Se não conseguir em um parágrafo, não vai conseguir em 100

Síntese: quando o Resumo do trabalho é longo, é porque não tem foco.

E foi por aí que o “Pé de Boi” começou a se revelar para mim. Super esforçado, trabalhador, fazia tudo que o orientador mandava, e quase tudo que eu dizia. Todavia, o problema era estrutural e de origem: o projeto de pesquisa foi mal elaborado, sem foco, sem problemática, sem objetivo definido, que, enfim; o convertia em “Vaca Atolada”. Aí, não tem jeito. Tudo se desconcerta no desenvolvimento da pesquisa se o projeto não tiver sido bem feito. O orientador não lia e pouco conversava com ele. Até que na defesa de tese, ele não segurou a onda, e colocou o aluno na fogueira (eu já tinha visto isso antes). Ele teve um prazo para refazer, o Orientador fez críticas por atacado, desmontou o aluno, mas passou a acompanhá-lo. A tese continuou sem foco, mas, no fim, também ajudei, reli n vezes, e conseguimos dar uma forma mínima para que pudesse ser aprovado. O resumo do trabalho tinha quase duas páginas. Duas páginas?

Nesse meio tempo, conversei com ele e tentei ajudar do jeito que podia. Entre a defesa e os acertos conversamos, e ele tinha um choro estancado na sua voz, uma tonalidade de se sentir humilhando, e um ruído de será que vou conseguir, reverberando. Sofreu muito.

Resumo: Quando um trabalho começa sem objetivo, sem foco, mal orientado e com aluno largado; ele vai ser responsabilizado, e vai sofrer um bocado para chegar ao final (se chegar).

Resumo Ideal (curto e objetivo): mesmo sendo um ‘pé de boi’, a ‘vaca pode ir pro brejo’.

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Eu sou a pessoa mais humilde do mundo!

Nariz empinado | PROFUNDIDADE

Perdi a referência!

Voltei ao Eco[1] – gostei mais ainda –, mas não reverberou. Mas como reli com pressa, nem posso dizer que não é dele mesmo. Vou ter que lidar com as lembranças.

Humildade é essencial em trabalho científico.

E, recentemente lendo Harari[2], vemos como a possibilidade de ciência só existe com o reconhecimento da ignorância. Ao contrário das religiões que dependem da crença, e por isto mesmo não questionam verdades e dogmas, a ciência nasce e se desenvolve no reconhecimento daquilo que não se sabe. É a partir do reconhecimento da nossa ignorância que podemos buscar material, teorias, experimentos, caminhos para tentar resolver e iluminar o não saber.

O pesquisador pode ser a pessoa mais arrogante do mundo. Soberba, presunção, olhar de cima e nariz empinado tem de monte na academia. Mas, isto é questão pessoal (como dizia uma amiga: pretensão e água benta, cada um toma o que guenta). Entretanto, enquanto cientista, se for arrogante nunca irá para frente, nunca fará ciência.

Quando eu cuidava de processos, projetos e encaminhamentos de bolsas PIBIC?CNPq, reprovei o projeto de pesquisa de um professor do direito (e gente arrogante no direito é redundância). Todavia, este professor veio atrás de mim e disse: “Gessé me ajude a pensar em projeto. Já aprendi tanta coisa. Tenho que aprender a fazer isto também”.

Eu gostava deste professor. Ele vinha de carreira no Ministério Público, tinha livro publicado e lecionava na pós-graduação. Todavia, posso afirmar que fazer pesquisa científica não é a principal característica dos trabalhos em direito. E, aí, embora tivesse um excelente conhecimento técnico, não sabia fazer ciência.

Enfim, foi atrás, repensou e reorganizou o seu projeto, reescreveu, reescreveu…

Quando, no outro ano, o projeto voltou para minha avaliação, eu fiquei surpreso e feliz. Era outro projeto, outro modo de pensar. Fiquei feliz em aprovar um projeto de qualidade.

Enfim. Ser uma pessoa arrogante é problema seu. Agora, arrogância na ciência é problema para a ciência.


[1] ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 12ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1995. Esse é um livro clássico de metodologia de pesquisa. Ao reler, vejo que é muito melhor do que quando li pela primeira vez. Tem uma ironia fina que percorre todo o trabalho, mas que às vezes acho que confunde ‘novatos’.

[2] HARARI, Y. Homo Deus, ou Sapiens: breve história da humanidade.

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Oriente e Desoriente

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“Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração”
Gilberto Gil

Orientadorxs podem ser problema ou solução. Isto é óbvio, pois elxs podem causar dificuldades, abrir ou fechar portas na sua vida acadêmica. Eu faço uma classificação dos tipos de orientadorxs, mais ou menos assim:

Orientador(a) que NÃO orienta.

E, vou começar por elxs, pois pela minha experiência como aluno e colega, acredito que estxs representem aproximadamente 60-70% do total dos professorxs orientadorxs (exagero?). Neste total estão compreendidos:

Aquelxs que não orientam porque estão fazendo ‘n’ outras atividades e obrigações acadêmicas, que têm que manter a produção, publicar, que têm departamentos, coordenações para dar conta, e etc. de trabalho acadêmico. Alguns destes até ficam meio sem graça, meio se desculpando: “Sinto muito, mas não vou deixar de fazer as minhas coisas para te orientar”.

 Também tem aqueles que são vagabundos, não estão nem aí para os seus orientandxs, ou que têm muitas outras atividades: “Que se virem, o problema e a responsabilidade são seus”.

E, obviamente, aquelxs que não sabem orientar. Não têm experiência, não aprenderam, não têm noção de processo de pesquisa, e não têm critérios de metodologia para desenvolver o trabalho. Estxs, muitas vezes desorientam.

A atitude destes não orientadorxs com xs alunxs pode ser:
Que se dane, que se vire, ‘by yourself’, mas na banca vou te defender, vou estar junto com você.
Que se dane, que se vire, e vai ficar sozinhx na defesa também.
Que se dane, que se vire, e ainda pode te arguir na defesa (sacana).

CASOS:

  1. Uma cliente estava fazendo pesquisa e dissertação sobre processo de licitação e compras de material e insumos no sistema de saúde no Brasil. A pesquisa, tema e problemática, eram originais. Ela era muito esforçada, esperta, rápida e inteligente. Fez um levantamento de dados excepcional e abrangente. Sistematizou os dados, fez gráficos, tabelas e interpretava. O orientador não acompanhou o desenvolvimento do trabalho e nos ‘finalmentes’ pediu para ela escrever sobre o SUS, e depois; sobre a Covid19 (a epidemia estava no início).
    Eu disse, NÃO!
    Seu trabalho não é sobre isto. Ele está saindo do foco, está te tirando do foco (e ter foco é uma das coisas mais difíceis em pesquisa). É claro que seu trabalho está dentro de um tema mais geral que envolve SUS e Covid19, mas o seu trabalho não é sobre isto; é sobre “processo de compra e licitação”.
  2. Tinha um professor todo gostosão, sou o máximo, e produção medíocre. Não orientava, deixava os alunos sozinhos, e que se virassem. Eu estava na banca. O aluno era esforçado, dedicado e inteligente. Escrevia bem, era claro, organizado e fez um trabalho excelente para quem estava sozinho. Entretanto, como todo trabalho, obviamente tinha problemas. E não é que na hora da banca, na frente de todo mundo, o infeliz começou a arguir o aluno! Ele era tão sem noção que não percebia que, ao questionar o trabalho do aluno, na verdade estava questionando o seu próprio trabalho de orientação.
    Enfim. Vejam só…
    Eu saí em defesa do aluno. Recuperei os pontos fortes do trabalho, as ideias e achados principais, e elogiei sua dedicação e capacidade de pesquisa.
  3. Uma vez em reunião de curso sobre o problema dos atrasos e prazos de defesa (impressionante como esta pauta é recorrente). Um professor, que não orientava seus alunos, disse: “Eu vou apertar [os alunos para acabarem] … eu vou apertar… eu vou apertar…
    Comentei com meu amigo: “Eu vou apertar, mas não vou acender agora…”

Orientador(a) que orienta:

Tem aquelxs que sabem, que gostam, e que efetivamente orientam. Estxs respeitam o caminho dxs alunxs e são rarxs. Eu sempre digo que fui um aluno fora da curva, pois tive esse tipo de orientador(a) na iniciação, no mestrado, no doutorado e no mestrado.

Estxs podem acompanhar de perto e interferir no trabalho, ou podem ficar mais distantes, deixando o aluno decidir o grau de proximidade e dependência da relação.

  • Tem aquelxs que esquecem, deixam xs alunxs sozinhxs, e quando os prazos estão acabando, leem o trabalho e fazem ‘n’ sugestões e questionamentos de ultima hora. Estxs tiram o chão.
  • Tem aqueles que interferem muito.
    • Não aceitam que xs alunxs entrem em linha de pensamento que não é a sua, e aí fica cercando e limitando o seu movimento.
    • Tem aquelxs que não dão autonomia, e querem que x alunx faça uma pesquisa que será parte da sua, ou que respondam aos interesses da sua pesquisa.

Caso:

Uma cliente me contou o que pretendia fazer de pesquisa, pois essa era a orientação/determinação do seu professor. Chegou um momento na nossa conversa em que perguntei:
– É isso que você quer fazer? É isso que vai te dar prazer, tesão, nesta difícil trajetória?
– Sabe o que é, Gessé. Ele me apresentou dois caminhos para eu escolher. Eu escolhi o que achava que tinha mais sentido para mim, mas a pesquisa é dele.
– Mas não dá para mudar de orientador?***
– Aqui não é o aluno que muda, mas é o orientador quem decide se não quer o aluno.
Aí eu disse:
– Sendo assim, melhor seguir a linha dele.

Na graduação, na Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), x alunx precisa entrar e desenvolver um projeto elaborado pelo orientador(a). Mas isto é para a graduação. Agora, exigir que um alunx de mestrado siga a sua cartilha, é ser muito autoritário, prepotente, e o pior, castrador.

*** Atenção!!! Perguntei para a aluna, mas eu não recomendo que mude de orientador(a). Só se a relação estiver muito difícil, grave e desgastante. Caso contrário, engula o sapo. Dependendo dx professor(a), elx pode ficar ressentido, magoado, e, vingativo, fechar ‘montes’ de portas na sua vida acadêmica.

Por isto, se puder escolher, se tiver esta oportunidade, converse com seus colegas, com xs orientandxs do professor(a), faça uma pesquisa (essa é uma das primeiras dentro da sua pesquisa), se informe sobre o orientador(a) antes de x procurar. Não se esqueça que está envolvidx em relação de poder e hierarquia (não se esqueça de Foucault), e neste campo pode encontrar democratas, anarquistas, populistas, fascistas, ou ditadores…  

Boa Sorte!

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Pesquisa de Campo 1: A primeira pessoa: coragem ou falta de medo

Eu vou escrever esse texto em primeira pessoa do singular. Isso não é uma opção pessoal, ou estilo literário, mas faz parte de uma narrativa tradicional na Antropologia. Os relatos das pesquisas de campo, os dados e o processo de apreensão e conhecimento pelos pesquisadores, são chamados de etnografias, e geralmente são escritos em primeira pessoa.

Malinowsky desenvolveu o método etnográfico na sua pesquisa no início do sec. XX, entre os Trobiandeses. Na introdução do livro “Argonautas do pacífico ocidental: um relato do empreendimento e da aventura dos nativos nos arquipélagos da Nova Guiné melanésia”, tem uma passagem clássica:

Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical próxima a uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista.

Essa despedida carrega a ideia do antropólogo que sai do seu lugar, da sua cultura, do seu país, cidade, bairro, e vai ao encontro do ‘outro’, do diferente. O ‘outro’ pode ser um indígena em uma aldeia remota, uma comunidade dentro da mesma cidade, crianças que vivem rua, academia de box, redes sociais, etc., etc…. Nesse movimento está sempre a ideia de encontro com o diferente. E, por isso, o ‘eu’ diz do olhar, da sensibilidade, da percepção, e como isso, que passa pelo autor, pode se expressar em forma de conhecimento sobre o outro e sobre si mesmo no outro.

Em 1988, e vou ter que fazer um esforço para voltar ao final da minha graduação em Ciências Sociais, na Unicamp, comecei a fazer Iniciação Científica. E, não sei por que, me interessei por criminalidade. Com Mariza Correa me orientando, com muito tato ela perguntou se eu achava que daria conta desse campo. Entrar em prisão, cadeia, encontrar presos, ladrões, crime; pense se não é muito para você. Eu ia em um Albergue de Presos. Presos que estavam em liberdade condicional, em transição entre cadeia e casa. Deveriam trabalhar durante o dia e dormir no albergue. 

Eu fui. Não sei se por coragem ou por falta de medo. Acho que são coisas bem diferentes. Coragem exige conhecimento, cautela, procedimentos pensados, conhecimento de perigo; e, por mais rápida que seja a ação, tem uma duração no tempo. Falta de medo é se lançar e enfrentar o perigo, mas é uma negação do perigo, é o instantâneo, o aqui e o agora.

Tinha um perigo que eu desconhecia, tinha um perigo dos preconceitos, imagem e realidade dos presos e criminosos. Mas fui com falta de medo. Se vai fazer campo, faça! Agora!

Esse é o barato da primeira pessoa. O que digo de mim que diz sobre o campo?

Depois da pesquisa, de ter convivido com os presos, consigo dizer que entrar no crime exige um movimento parecido. Entrar no tráfico, trocar tiro com polícia ou bandido, matar, viver na proximidade com a morte, viver e morrer no crime, é falta de medo, não é coragem. 

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Para fazer um Text Drive!

Orientações para o trabalho.

Escreva 1, 2, 3 parágrafos sobre o trabalho pretende fazer, ou que já esteja fazendo.

Pode ser uma coisa bem simples, como: “Eu pretendo fazer… vou fazer de tal e tal maneira…”.
Não se engane. O simples é mais complexo.
Como dizia meu orientador, Sergio Miceli, “se não conseguir dizer em um paragrafo o que pretende fazer, não conseguirá em 100 paginas”.

Simples, complexo:
O que sei, o que quero saber, por que é importante saber, como vou fazer, em que tempo, e com quais referencias bibliográficas. Isso é uma tradução de Introdução, Objetivos, Justificativa, Metodologia, Cronograma e Referências.

Se mandar, em word, para corrigir, eu uso o ‘Controle de Alterações” . Assim, fica mais fácil saber o que é meu e o que é seu.

Na minha leitura, eu procuro fazer uma crítica séria, profissional e produtiva, para que você possa desenvolver o seu trabalho da melhor maneira possível. Fazer crítica e não apontar caminhos, é sacanagem. Só destrói.

O que você não sabe e quer saber?
Tente. Faça um Text Drive!!!

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Referência Bibliográfica: endereços, caminhos, rumos, trajetos, roteiros, direção… …

Olá Pessoal

Neste post vou enviar dois vídeos

No primeiro falo de referências e de regras de modo geral, e no segundo explico rapidamente como usar o MORE.

Referência é fundamental! 

Em trabalho acadêmico não basta saber, mas também é necessário provar que sabe, assim como provar de onde tira o seu conhecimento. Ou seja, conhecimento não é ‘obra do Espírito Santo’ que cai na sua cabeça. 

As referências têm duas funções primordiais:

  1. Para trás: de onde vem o seu conhecimento, aonde aprendeu, quem leu, qual fonte. E, assim, eu li e provo que li, que sei, por meio das referências.
  2. Para frente: para dar caminhos para quem ler o seu trabalho. Assim, outros podem ler e aprender o caminho de pensamento e reflexão que fez no seu trabalho.

O que importa em Ciência é: Se souber alguma coisa, passe para frente.

Por isso, pense nas normas de referência como uma forma de endereço.

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Introdução às normas de ABNT

O que digo nesse vídeo serve tanto para normas de ABNT, como Vancouver, APA…

Não importa qual seja a regra, vai ter que obedecer alguma.

Se você está escrevendo um trabalho acadêmico, vai ter que utilizar alguma regra/norma de referência. A regra depende da instituição a qual está vinculado. No Brasil, de modo geral, a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais utilizada, embora o pessoal de saúde use mais Vancouver. 

Como disse antes, usar normas de ABNT é um pouco chato. Tem muitos detalhes, maiúsculas, minúsculas, virgulas, pontos, negrito, sem negrito…

A quantidade de detalhes e de passos tornam o uso exigente e cuidadoso, e elas são fundamentais para o trabalho. Não pode errar! Ou seja, não dê chance para receber esse tipo de crítica.

Tem professor, tem banca, que vai ficar atendo, olhando e corrigindo os detalhes, tais com pontos, virgulas, etc…

Quem não consegue pensar ou falar sobre conteúdo, não consegue orientar o aluno, muitas vezes fica preso à forma. Por isso, mais uma vez, não dê oportunidade para ser corrigido em normas de ABNT.

Embora importante, ABNT não é o trabalho. Tem gente que fica tão preocupada com ABNT, que parece que isso é a coisa principal da pesquisa. Não é! É a parte formal!

Embora não seja possível separar forma e conteúdo, é mais fácil – nesse caso – cuidar da forma do que do conteúdo.

Por isso, o jeito mais fácil de utilizar ABNT que encontrei é por meio do “Mecanismo On-line para Referências” – MORE. É um site da Universidade Federal de Santa Catarina. Entre no site, se cadastre gratuitamente, aprenda a usar, e, assim, resolva os seus problemas com a ABNT. 

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Levantamento Bibliográfico

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Toda pesquisa precisa de Levantamento Bibliográfico, ou seja; procurar o máximo de material possível sobre o seu Tema. Quanto mais tiver, melhor; e assim vai poder escolher. Levantamento não é necessariamente ler, mas é mais a atividade de procurar. 

No início, meio ou fim do trabalho de pesquisa, a gente sempre precisa estar atendo para materiais que possam nos ajudar; sejam livros, artigos, sites, revistas… 

Esta regra é simples, pois se não ler, não escreve. Só conseguimos pensar, elaborar e escrever a partir de um material prévio que tenhamos estudado. Portanto, tem que procurar material para que possa desenvolver sua pesquisa. 

Para procurar bibliografia eu ainda acho que o Google Acadêmico é a melhor ferramenta. Se você tiver acesso ao Portal de Periódicos da Capes, melhor. Mas use o Google para procurar e ele vai indicar se está no Portal. 

No filme abaixo eu explico ‘muito basicamente’ como usar o Google Acadêmico, mas é necessário mexer, fuçar, para aprender os recursos. Se tiver conta no gmail, poderá salvar a sua pesquisa.

É preciso pensar nas palavras-chave da pesquisa. E, quanto mais palavras colocar na busca, menos material virá. Mas o que virá será mais adequado e direcionado ao seu tema.

Outra forma de fazer Levantamento é lendo as bibliografias dos textos e livros que, especialmente, mais gostar. Como já disse, bibliografias são caderninhos de endereço. E, mais. Pode ver quais autores são citados, quais repetem, e quais sempre são citados. Ou seja, se tem um autor que aparece sempre, ele é obrigatório e vai ter que ler. Se todo mundo cita, vai ter que citar, pois é referência na área de saber

E uma bibliografia leva a outra, que leva a outra….

Mãos à obra!