Eu sou a pessoa mais humilde do mundo!

Nariz empinado | PROFUNDIDADE

Perdi a referência!

Voltei ao Eco[1] – gostei mais ainda –, mas não reverberou. Mas como reli com pressa, nem posso dizer que não é dele mesmo. Vou ter que lidar com as lembranças.

Humildade é essencial em trabalho científico.

E, recentemente lendo Harari[2], vemos como a possibilidade de ciência só existe com o reconhecimento da ignorância. Ao contrário das religiões que dependem da crença, e por isto mesmo não questionam verdades e dogmas, a ciência nasce e se desenvolve no reconhecimento daquilo que não se sabe. É a partir do reconhecimento da nossa ignorância que podemos buscar material, teorias, experimentos, caminhos para tentar resolver e iluminar o não saber.

O pesquisador pode ser a pessoa mais arrogante do mundo. Soberba, presunção, olhar de cima e nariz empinado tem de monte na academia. Mas, isto é questão pessoal (como dizia uma amiga: pretensão e água benta, cada um toma o que guenta). Entretanto, enquanto cientista, se for arrogante nunca irá para frente, nunca fará ciência.

Quando eu cuidava de processos, projetos e encaminhamentos de bolsas PIBIC?CNPq, reprovei o projeto de pesquisa de um professor do direito (e gente arrogante no direito é redundância). Todavia, este professor veio atrás de mim e disse: “Gessé me ajude a pensar em projeto. Já aprendi tanta coisa. Tenho que aprender a fazer isto também”.

Eu gostava deste professor. Ele vinha de carreira no Ministério Público, tinha livro publicado e lecionava na pós-graduação. Todavia, posso afirmar que fazer pesquisa científica não é a principal característica dos trabalhos em direito. E, aí, embora tivesse um excelente conhecimento técnico, não sabia fazer ciência.

Enfim, foi atrás, repensou e reorganizou o seu projeto, reescreveu, reescreveu…

Quando, no outro ano, o projeto voltou para minha avaliação, eu fiquei surpreso e feliz. Era outro projeto, outro modo de pensar. Fiquei feliz em aprovar um projeto de qualidade.

Enfim. Ser uma pessoa arrogante é problema seu. Agora, arrogância na ciência é problema para a ciência.


[1] ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 12ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1995. Esse é um livro clássico de metodologia de pesquisa. Ao reler, vejo que é muito melhor do que quando li pela primeira vez. Tem uma ironia fina que percorre todo o trabalho, mas que às vezes acho que confunde ‘novatos’.

[2] HARARI, Y. Homo Deus, ou Sapiens: breve história da humanidade.

Oriente e Desoriente

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“Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração”
Gilberto Gil

Orientadorxs podem ser problema ou solução. Isto é óbvio, pois elxs podem causar dificuldades, abrir ou fechar portas na sua vida acadêmica. Eu faço uma classificação dos tipos de orientadorxs, mais ou menos assim:

Orientador(a) que NÃO orienta.

E, vou começar por elxs, pois pela minha experiência como aluno e colega, acredito que estxs representem aproximadamente 60-70% do total dos professorxs orientadorxs (exagero?). Neste total estão compreendidos:

Aquelxs que não orientam porque estão fazendo ‘n’ outras atividades e obrigações acadêmicas, que têm que manter a produção, publicar, que têm departamentos, coordenações para dar conta, e etc. de trabalho acadêmico. Alguns destes até ficam meio sem graça, meio se desculpando: “Sinto muito, mas não vou deixar de fazer as minhas coisas para te orientar”.

 Também tem aqueles que são vagabundos, não estão nem aí para os seus orientandxs, ou que têm muitas outras atividades: “Que se virem, o problema e a responsabilidade são seus”.

E, obviamente, aquelxs que não sabem orientar. Não têm experiência, não aprenderam, não têm noção de processo de pesquisa, e não têm critérios de metodologia para desenvolver o trabalho. Estxs, muitas vezes desorientam.

A atitude destes não orientadorxs com xs alunxs pode ser:
Que se dane, que se vire, ‘by yourself’, mas na banca vou te defender, vou estar junto com você.
Que se dane, que se vire, e vai ficar sozinhx na defesa também.
Que se dane, que se vire, e ainda pode te arguir na defesa (sacana).

CASOS:

  1. Uma cliente estava fazendo pesquisa e dissertação sobre processo de licitação e compras de material e insumos no sistema de saúde no Brasil. A pesquisa, tema e problemática, eram originais. Ela era muito esforçada, esperta, rápida e inteligente. Fez um levantamento de dados excepcional e abrangente. Sistematizou os dados, fez gráficos, tabelas e interpretava. O orientador não acompanhou o desenvolvimento do trabalho e nos ‘finalmentes’ pediu para ela escrever sobre o SUS, e depois; sobre a Covid19 (a epidemia estava no início).
    Eu disse, NÃO!
    Seu trabalho não é sobre isto. Ele está saindo do foco, está te tirando do foco (e ter foco é uma das coisas mais difíceis em pesquisa). É claro que seu trabalho está dentro de um tema mais geral que envolve SUS e Covid19, mas o seu trabalho não é sobre isto; é sobre “processo de compra e licitação”.
  2. Tinha um professor todo gostosão, sou o máximo, e produção medíocre. Não orientava, deixava os alunos sozinhos, e que se virassem. Eu estava na banca. O aluno era esforçado, dedicado e inteligente. Escrevia bem, era claro, organizado e fez um trabalho excelente para quem estava sozinho. Entretanto, como todo trabalho, obviamente tinha problemas. E não é que na hora da banca, na frente de todo mundo, o infeliz começou a arguir o aluno! Ele era tão sem noção que não percebia que, ao questionar o trabalho do aluno, na verdade estava questionando o seu próprio trabalho de orientação.
    Enfim. Vejam só…
    Eu saí em defesa do aluno. Recuperei os pontos fortes do trabalho, as ideias e achados principais, e elogiei sua dedicação e capacidade de pesquisa.
  3. Uma vez em reunião de curso sobre o problema dos atrasos e prazos de defesa (impressionante como esta pauta é recorrente). Um professor, que não orientava seus alunos, disse: “Eu vou apertar [os alunos para acabarem] … eu vou apertar… eu vou apertar…
    Comentei com meu amigo: “Eu vou apertar, mas não vou acender agora…”

Orientador(a) que orienta:

Tem aquelxs que sabem, que gostam, e que efetivamente orientam. Estxs respeitam o caminho dxs alunxs e são rarxs. Eu sempre digo que fui um aluno fora da curva, pois tive esse tipo de orientador(a) na iniciação, no mestrado, no doutorado e no mestrado.

Estxs podem acompanhar de perto e interferir no trabalho, ou podem ficar mais distantes, deixando o aluno decidir o grau de proximidade e dependência da relação.

  • Tem aquelxs que esquecem, deixam xs alunxs sozinhxs, e quando os prazos estão acabando, leem o trabalho e fazem ‘n’ sugestões e questionamentos de ultima hora. Estxs tiram o chão.
  • Tem aqueles que interferem muito.
    • Não aceitam que xs alunxs entrem em linha de pensamento que não é a sua, e aí fica cercando e limitando o seu movimento.
    • Tem aquelxs que não dão autonomia, e querem que x alunx faça uma pesquisa que será parte da sua, ou que respondam aos interesses da sua pesquisa.

Caso:

Uma cliente me contou o que pretendia fazer de pesquisa, pois essa era a orientação/determinação do seu professor. Chegou um momento na nossa conversa em que perguntei:
– É isso que você quer fazer? É isso que vai te dar prazer, tesão, nesta difícil trajetória?
– Sabe o que é, Gessé. Ele me apresentou dois caminhos para eu escolher. Eu escolhi o que achava que tinha mais sentido para mim, mas a pesquisa é dele.
– Mas não dá para mudar de orientador?***
– Aqui não é o aluno que muda, mas é o orientador quem decide se não quer o aluno.
Aí eu disse:
– Sendo assim, melhor seguir a linha dele.

Na graduação, na Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), x alunx precisa entrar e desenvolver um projeto elaborado pelo orientador(a). Mas isto é para a graduação. Agora, exigir que um alunx de mestrado siga a sua cartilha, é ser muito autoritário, prepotente, e o pior, castrador.

*** Atenção!!! Perguntei para a aluna, mas eu não recomendo que mude de orientador(a). Só se a relação estiver muito difícil, grave e desgastante. Caso contrário, engula o sapo. Dependendo dx professor(a), elx pode ficar ressentido, magoado, e, vingativo, fechar ‘montes’ de portas na sua vida acadêmica.

Por isto, se puder escolher, se tiver esta oportunidade, converse com seus colegas, com xs orientandxs do professor(a), faça uma pesquisa (essa é uma das primeiras dentro da sua pesquisa), se informe sobre o orientador(a) antes de x procurar. Não se esqueça que está envolvidx em relação de poder e hierarquia (não se esqueça de Foucault), e neste campo pode encontrar democratas, anarquistas, populistas, fascistas, ou ditadores…  

Boa Sorte!

Pesquisa de Campo 1: A primeira pessoa: coragem ou falta de medo

Eu vou escrever esse texto em primeira pessoa do singular. Isso não é uma opção pessoal, ou estilo literário, mas faz parte de uma narrativa tradicional na Antropologia. Os relatos das pesquisas de campo, os dados e o processo de apreensão e conhecimento pelos pesquisadores, são chamados de etnografias, e geralmente são escritos em primeira pessoa.

Malinowsky desenvolveu o método etnográfico na sua pesquisa no início do sec. XX, entre os Trobiandeses. Na introdução do livro “Argonautas do pacífico ocidental: um relato do empreendimento e da aventura dos nativos nos arquipélagos da Nova Guiné melanésia”, tem uma passagem clássica:

Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical próxima a uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista.

Essa despedida carrega a ideia do antropólogo que sai do seu lugar, da sua cultura, do seu país, cidade, bairro, e vai ao encontro do ‘outro’, do diferente. O ‘outro’ pode ser um indígena em uma aldeia remota, uma comunidade dentro da mesma cidade, crianças que vivem rua, academia de box, redes sociais, etc., etc…. Nesse movimento está sempre a ideia de encontro com o diferente. E, por isso, o ‘eu’ diz do olhar, da sensibilidade, da percepção, e como isso, que passa pelo autor, pode se expressar em forma de conhecimento sobre o outro e sobre si mesmo no outro.

Em 1988, e vou ter que fazer um esforço para voltar ao final da minha graduação em Ciências Sociais, na Unicamp, comecei a fazer Iniciação Científica. E, não sei por que, me interessei por criminalidade. Com Mariza Correa me orientando, com muito tato ela perguntou se eu achava que daria conta desse campo. Entrar em prisão, cadeia, encontrar presos, ladrões, crime; pense se não é muito para você. Eu ia em um Albergue de Presos. Presos que estavam em liberdade condicional, em transição entre cadeia e casa. Deveriam trabalhar durante o dia e dormir no albergue. 

Eu fui. Não sei se por coragem ou por falta de medo. Acho que são coisas bem diferentes. Coragem exige conhecimento, cautela, procedimentos pensados, conhecimento de perigo; e, por mais rápida que seja a ação, tem uma duração no tempo. Falta de medo é se lançar e enfrentar o perigo, mas é uma negação do perigo, é o instantâneo, o aqui e o agora.

Tinha um perigo que eu desconhecia, tinha um perigo dos preconceitos, imagem e realidade dos presos e criminosos. Mas fui com falta de medo. Se vai fazer campo, faça! Agora!

Esse é o barato da primeira pessoa. O que digo de mim que diz sobre o campo?

Depois da pesquisa, de ter convivido com os presos, consigo dizer que entrar no crime exige um movimento parecido. Entrar no tráfico, trocar tiro com polícia ou bandido, matar, viver na proximidade com a morte, viver e morrer no crime, é falta de medo, não é coragem. 

Para fazer um Text Drive!

Orientações para o trabalho.

Escreva 1, 2, 3 parágrafos sobre o trabalho pretende fazer, ou que já esteja fazendo.

Pode ser uma coisa bem simples, como: “Eu pretendo fazer… vou fazer de tal e tal maneira…”.
Não se engane. O simples é mais complexo.
Como dizia meu orientador, Sergio Miceli, “se não conseguir dizer em um paragrafo o que pretende fazer, não conseguirá em 100 paginas”.

Simples, complexo:
O que sei, o que quero saber, por que é importante saber, como vou fazer, em que tempo, e com quais referencias bibliográficas. Isso é uma tradução de Introdução, Objetivos, Justificativa, Metodologia, Cronograma e Referências.

Se mandar, em word, para corrigir, eu uso o ‘Controle de Alterações” . Assim, fica mais fácil saber o que é meu e o que é seu.

Na minha leitura, eu procuro fazer uma crítica séria, profissional e produtiva, para que você possa desenvolver o seu trabalho da melhor maneira possível. Fazer crítica e não apontar caminhos, é sacanagem. Só destrói.

O que você não sabe e quer saber?
Tente. Faça um Text Drive!!!

https://youtu.be/5LI1i3A3zec

Referência Bibliográfica: endereços, caminhos, rumos, trajetos, roteiros, direção… …

Olá Pessoal

Neste post vou enviar dois vídeos

No primeiro falo de referências e de regras de modo geral, e no segundo explico rapidamente como usar o MORE.

Referência é fundamental! 

Em trabalho acadêmico não basta saber, mas também é necessário provar que sabe, assim como provar de onde tira o seu conhecimento. Ou seja, conhecimento não é ‘obra do Espírito Santo’ que cai na sua cabeça. 

As referências têm duas funções primordiais:

  1. Para trás: de onde vem o seu conhecimento, aonde aprendeu, quem leu, qual fonte. E, assim, eu li e provo que li, que sei, por meio das referências.
  2. Para frente: para dar caminhos para quem ler o seu trabalho. Assim, outros podem ler e aprender o caminho de pensamento e reflexão que fez no seu trabalho.

O que importa em Ciência é: Se souber alguma coisa, passe para frente.

Por isso, pense nas normas de referência como uma forma de endereço.

Introdução às normas de ABNT

O que digo nesse vídeo serve tanto para normas de ABNT, como Vancouver, APA…

Não importa qual seja a regra, vai ter que obedecer alguma.

Se você está escrevendo um trabalho acadêmico, vai ter que utilizar alguma regra/norma de referência. A regra depende da instituição a qual está vinculado. No Brasil, de modo geral, a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais utilizada, embora o pessoal de saúde use mais Vancouver. 

Como disse antes, usar normas de ABNT é um pouco chato. Tem muitos detalhes, maiúsculas, minúsculas, virgulas, pontos, negrito, sem negrito…

A quantidade de detalhes e de passos tornam o uso exigente e cuidadoso, e elas são fundamentais para o trabalho. Não pode errar! Ou seja, não dê chance para receber esse tipo de crítica.

Tem professor, tem banca, que vai ficar atendo, olhando e corrigindo os detalhes, tais com pontos, virgulas, etc…

Quem não consegue pensar ou falar sobre conteúdo, não consegue orientar o aluno, muitas vezes fica preso à forma. Por isso, mais uma vez, não dê oportunidade para ser corrigido em normas de ABNT.

Embora importante, ABNT não é o trabalho. Tem gente que fica tão preocupada com ABNT, que parece que isso é a coisa principal da pesquisa. Não é! É a parte formal!

Embora não seja possível separar forma e conteúdo, é mais fácil – nesse caso – cuidar da forma do que do conteúdo.

Por isso, o jeito mais fácil de utilizar ABNT que encontrei é por meio do “Mecanismo On-line para Referências” – MORE. É um site da Universidade Federal de Santa Catarina. Entre no site, se cadastre gratuitamente, aprenda a usar, e, assim, resolva os seus problemas com a ABNT. 

Levantamento Bibliográfico

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Toda pesquisa precisa de Levantamento Bibliográfico, ou seja; procurar o máximo de material possível sobre o seu Tema. Quanto mais tiver, melhor; e assim vai poder escolher. Levantamento não é necessariamente ler, mas é mais a atividade de procurar. 

No início, meio ou fim do trabalho de pesquisa, a gente sempre precisa estar atendo para materiais que possam nos ajudar; sejam livros, artigos, sites, revistas… 

Esta regra é simples, pois se não ler, não escreve. Só conseguimos pensar, elaborar e escrever a partir de um material prévio que tenhamos estudado. Portanto, tem que procurar material para que possa desenvolver sua pesquisa. 

Para procurar bibliografia eu ainda acho que o Google Acadêmico é a melhor ferramenta. Se você tiver acesso ao Portal de Periódicos da Capes, melhor. Mas use o Google para procurar e ele vai indicar se está no Portal. 

No filme abaixo eu explico ‘muito basicamente’ como usar o Google Acadêmico, mas é necessário mexer, fuçar, para aprender os recursos. Se tiver conta no gmail, poderá salvar a sua pesquisa.

É preciso pensar nas palavras-chave da pesquisa. E, quanto mais palavras colocar na busca, menos material virá. Mas o que virá será mais adequado e direcionado ao seu tema.

Outra forma de fazer Levantamento é lendo as bibliografias dos textos e livros que, especialmente, mais gostar. Como já disse, bibliografias são caderninhos de endereço. E, mais. Pode ver quais autores são citados, quais repetem, e quais sempre são citados. Ou seja, se tem um autor que aparece sempre, ele é obrigatório e vai ter que ler. Se todo mundo cita, vai ter que citar, pois é referência na área de saber

E uma bibliografia leva a outra, que leva a outra….

Mãos à obra!

A Estrutura do Projeto de Pesquisa

Todo projeto de pesquisa tem mesmas fases, seja para a área de humanas, exatas ou biológicas.

Os tópicos que devem ser desenvolvidos são os seguintes:

  1. Introdução teórica
  2. Objetivos
  3. Justificativa
  4. Metodologia
  5. Cronograma
  6. Bibliografia

É necessário pensar em estrutura, pois dentro da estrutura é possível fazer as variações. E pensar de modo estrutural ajuda a organizar o pensamento e a pesquisa.

  • Introdução Teórica. Este é o momento em que deve apresentar o seu tema e a maneira como pretende delimitar o seu tema de pesquisa. É um momento de ir para trás, de ver e mostrar o que já foi pensado e desenvolvido sobre o seu objeto de pesquisa. É o lugar de apresentar sua revisão bibliográfica: quem escreve? Quais os principais autores… as obras, publicações? Enfim; qual é o estado da arte, e saber (especialmente mostrar que sabe) do que se trata.

O que sabe sobre seu tema?

  • Se está inserido no debate que envolve o seu tema, você terá instrumentos para pensar nos seu(s) Objetivo(s). Ir para frente.

Ou seja, já que sabe, o que quer fazer a partir deste conhecimento? O que quer saber? Qual a sua pergunta, qual a sua questão? (Acho que esta é uma das partes mais difíceis de qualquer pesquisa. E tem muita pesquisa sem problema.).

Já que sabe, para onde quer ir?

  • Este objetivo é importante por quê?

Ninguém fez deste jeito até aqui, vai propor uma abordagem diferente, porque tem relevância social, histórica, jurídica…

Quando explicar a importância da sua problemática, você estará justificando a necessidade de realizar o trabalho (de ganhar verba, de conseguir um lugar no curso). Por isto estamos na Justificativa.

De onde venho, para onde quero ir, por que é importante eu ir?

Se vai, como vai?

Chegamos na Metodologia: nesta parte é importante mostrar como vai fazer o trabalho (documental, teórico, trabalho de campo, arquivos, entrevistas…); quando, qual o período pretende abordar (uma data específica, de tal a tal ano…); e onde (um país, estado, cidade, instituição, determinado movimento social, determinado fenômeno físico, biológico, social)

Resumindo:

  1. De onde venho? (Introdução Teórica)
  2. Para onde quero ir? (Objetivos)
  3. Por que é importante ir? (Justificativa)
  4. Como vou? (Metodologia)
  5. Em que tempo vou: Cronograma. (via de regra a gente fura o cronograma, mas é importante fazer para que tenha parâmetros do que planejou e do que ‘furou’)
  6. Quais são as fontes que permitem realizar o trajeto (a Bibliografia)

Boa caminhada!!!

Escolha do Tema de Pesquisa

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Neste post vou apresentar algumas diretrizes que ajudam a escolher o Tema de Pesquisa.

  1. Pense em alguma coisa que você realmente gosta. Durante sua pesquisa, você vai gastar muito tempo, vai ter dificuldades, terá hora em que vai querer desistir, vai precisar ler, reler, reler…
    Portanto: O que eu gosto?  O que dá vontade de estudar? O que eu não sei e gostaria de saber? O que gostaria de investigar?
  2. Também pode pensar naquilo que não gosta. E, assim, trabalhe por eliminação, por exclusão. Elimine as áreas e subáreas que não gosta ou que não tem afinidade.
  3. Escolher e delimitar um tema não é muito fácil. Geralmente a gente começa com Tema amplo, com uma grande área, e dentro disto precisamos investigar o que há de específico
  4. Pense em pirâmide invertida, no desenho do funil: Do mais geral para o mais específico.  Do mais amplo para o mais restrito.
  5. Escolher o tema e pensar em como delimitar, é um processo que não ocorre somente pela reflexão. Lembre-se que trabalho (qualquer trabalho) é 90% transpiração e 10% inspiração. Não espere por inspiração.
  6. Passeie pela biblioteca. Olhe os diferentes livros nas prateleiras.
  7. Leia artigos de revistas acadêmicas: Artigos são mais fechados, mais delimitados. Leia vários abstracts e monte um mapa dos temas e recortes temáticos que descobriu.
  8. Monte um mapa das opções que foi encontrando, monte um panorama de possibilidades que o tema oferece. Faça gráficos, use cartolina, lousa… desenhe uma árvore com as suas ramificações.
  9. Leia as bibliografias dos artigos e livros. Um te leva a outro, que te leva a outro, que…
  10. Crie um “caderno de campo” para as anotações. É melhor ter anotações para jogar fora do que não conseguir lembrar de uma ideia.
    1. Na minha experiência como professor, aluno e colega, esta é a parte mais difícil…
      O tema é mais fácil, mas descobrir o que, dentro do seu tema, deseja pesquisar, é difícil. Todavia, defina rapidamente o seu tema (senão nunca começa a pesquisa) e pense que, quando estiver no início, ainda poderá mudar. É uma escolha, sem dúvida. Entretanto, não é um processo definitivo, pois, com novos conhecimentos, com novas informações, nova bibliografia, pode repensar seu tema, os objetivos e as estratégias.
  • Perguntas que ajudam a fechar o tema:

LUGAR:
Aonde se localiza o seu objeto de pesquisa? Amplo ou específico? Brasil, São Paulo, Campinas, bairro, instituição.. Se for trabalho teórico, não há, necessariamente, uma definição de lugar.

TEMPO:
Qual é o momento que quer pesquisar? Determine um período. Quer analisar um fenômeno em qual data, em qual período?

COMO:
Como pretende realizar o trabalho? Vai fazer pesquisa em Documentos, pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo, entrevista, laboratório… qual o modo que vai utilizar para coletar seus dados.

Pensar em onde, quando e como sempre ajuda a fechar o objeto.

Mãos à obra!!!

“Só sei que nada sei”. Sei não!

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No texto anterior, “a cereja no bolo do boçal”, questionei a palavra boçal. Como eu disse, associar africanos recém-chegados ao Brasil – e que ainda não falavam português – a ignorante, rude, tosco, desprovido de inteligência é um ato colonialista e racista. Frente a língua que se apresentava, estes escravos poderiam dizer, assim como Sócrates: “Só sei que nada sei”.

Isto é fácil e patente, pois é possível perceber os limites do conhecimento e ter discernimento para reconhecer a ignorância.

Todavia, quando penso em ignorância stricto sensu, estou pensando um pouco mais além, ou aquém.

A famosa frase de Sócrates também revela um momento da ciência pré-moderna. Pois, saber que não se sabe supõe determinado conhecimento, que permite discernir a ignorância, o não-saber.

Todavia, não é assim que o mundo se apresenta.

Gosto de pensar em Flogisto.
Para explicar a combustão, Georg Stahl (1660-1734) afirmava que os corpos possuiriam uma matéria chamada Flogisto, que seria liberada ao ar durante os processos de combustão (Wikipédia explica melhor). Esta teoria perdurou durante anos, até que Lavoisier, em 1789, descobriu o oxigênio. Assim, não haveria essa substância liberada no ar, mas processo de combustão pelo oxigênio.

Para isto, também podemos pensar em paradigmas. De acordo com Thomas Kuhn, a ciência cria modos de pensamento, estruturas de explicações, formas e processos de pesquisa que permitem o desenvolvimento do conhecimento, mas que também o limita. As diferentes formas podem ser chamadas de paradigmas. Ou seja: é o modo como pensamos e explicamos os fenômenos sociais e naturais.

Assim, quando a ciência estava dentro do paradigma do Flogisto, tudo era explicado de acordo com esta teoria. Até que um novo paradigma a superou, tornou-se passível de comprovação e, por meio do oxigênio, criou um novo modo de pensar e explicar, revelando uma nova verdade (por isto as verdades são conjecturais).

Neste caso, não estamos na esfera do ‘sei que nada sei’, mas, ao pensar em Flogisto estamos no reino do “não sei o que não sei”. O mundo se apresentava de modo equivocado e tentávamos explicá-lo por meio de uma teoria que estava errada. E neste movimento, somos ignorantes stricto sensu, pois não sabemos o que não sabemos.
A frase de Sócrates é cientificamente arcaica (e politicamente contemporânea), pois ela expressa uma ilusão do discernimento, uma ilusão do conhecimento sobre a ignorância. Como se pudéssemos ter certeza de saber o que não sabemos.